
A Introdução Alimentar (IA) pode ser um assunto de muitas dúvidas. Quando começar? Como começar? Qual é o melhor método? Entre tantas outras perguntas. O correto é sempre buscar apoio com a sua ou o seu pediatra de confiança e com uma/um nutricionista.
Cada bebê é único. Cada família tem sua própria rotina. O que funciona para alguns pais, não funciona para outros. E tudo bem. Por isso, é extremamente importante contar com o apoio de profissionais.
Basicamente, existem três tipos de Introdução Alimentar: tradicional, BLW e BLISS. Sendo assim, vou explicar um pouco sobre como identificar que o bebê está pronto para a IA e abordar cada método separadamente.
Sinais de prontidão para a introdução alimentar
Geralmente, a Introdução Alimentar é realizada a partir dos 6 meses. Esse é o primeiro sinal de prontidão: a idade. Atenção aos bebês prematuros, que precisam corrigir a idade para certificar que são maduros o suficiente para a IA.

2 – Sentar sozinho
Um ótimo sinal que o bebê pode dar é que ele consegue se sustentar com o mínimo de apoio possível para iniciar a comer sólidos. É um sinal extremamente importante para reduzir as chances dele engasgar ao comer.
3 – Protusão da língua
Nos primeiros meses, o bebê tende a empurrar com a língua o que for colocado na boquinha dele. É um reflexo natural. Para a IA, é essencial que esse reflexo tenha desaparecido. Senão, ele não vai conseguir se alimentar.
4 – Interesse pelos alimentos
Crianças aprendem pela repetição. Quando o bebê começar a apresentar interesse em ver pessoas comendo, manipulando alimentos e bebendo água pode ser um bom sinal de prontidão.

É importante, no momento de identificar os sinais, não ter pressa. Cada ser humano tem o seu próprio ritmo. A Introdução Alimentar é uma fase muito importante. Mas lembre-se que o seu filho irá comer pelo resto da vida. Até os 12 meses, o leite materno ou a fórmula é o alimento principal. Respeite os sinais que a criança dá e deixe acontecer de maneira mais natural.
Introdução Alimentar Tradicional
O próprio nome indica que é a forma tradicional de oferta de alimentos a crianças. Alimentos amassados, ralados ou raspados são oferecidos. O mais comum é que a criança coma papas ou purês de frutas e legumes. Alguns especialistas recomendam que o primeiro contato seja com frutas e, então, com cereais, tubérculos, leguminosas, legumes ou verduras e carne ou ovos.

Cada período da IA exige um volume a ser ofertado, uma quantidade de refeições e consistência dos alimentos.
- Aos 6 meses, a criança pode comer de 2 a 3 colheres de sopa de papas ou purês salgados e frutas amassadas ou raspadas. O ideal são de 2 a 3 refeições por dia.
- Com 7 e 8 meses, o bebê consegue ingerir cerca de 160 ml de purês e alimentos pouco amassados. Podem ser entre 3 e 4 refeições.
- Dos 9 até o fim dos 11 meses, cerca de 200 ml de alimentos pouco amassados ou pequenos pedaços podem ser ofertados. Nessa fase, é possível oferecer frutas macias, como banana, abacate e manga madura. 5 refeições são suficientes para alimentar e nutrir o bebê.
- A partir dos 12 meses, a criança pode fazer a quantidade de refeições que a família faz, comer de acordo com a saciedade e na mesma consistência do preparo para os adultos.
Introdução Alimentar BLW
A sigla BLW refere-se a Baby-Led-Weaning. Em português, desmame guiado pelo bebê. Mesmo que a ideia não seja o desmame, mas a introdução alimentar. É um método nem tão recente. Porém, se tornou uma tendência nos últimos anos.

Primeiro, vamos desmistificar alguns pontos.
1 – Esse método não é apenas dar comida em pedaços. Na verdade, não é isso que baseia a filosofia do BLW. O bebê guia o processo. Os pais e/ou responsáveis precisam estimular o desenvolvimento cognitivo e motor do bebê, respeitando o ritmo da criança e incentivando a autonomia.
2 – O bebê não pode ficar sozinho. Apesar do incentivo da autonomia, o bebê precisa ser assistido enquanto se alimenta. É uma questão de segurança.
3 – O BLW não representa um maior risco de engasgo. Existe a forma correta de ofertar, baseando-se nos sinais de prontidão que o bebê apresenta. Muitos pais se assustam com o reflexo de GAG, que parece uma ânsia de vômito. Porém, é um reflexo de tirar a comida de perto da garganta, justamente para não engasgar.
4 – Os três primeiros meses de IA com BLW são especialmente focados na experiência que o bebê terá explorando a comida, não necessariamente se alimentando. É importante que os pais tenham isso em mente para incentivar que a criança coma, mas nunca obrigá-la a isso. Deixe que ela demonstre interesse a própria maneira.

Um importante estudo realizado na Nova Zelândia, denominado BLISS, apontou que o BLW traz alguns benefícios à criança. São eles
- Menor risco de obesidade por conta da autonomia na alimentação e controle de apetite
- Mais qualidade na alimentação pelo contato com variedades de alimentos
- Habilidades motoras mais desenvolvidas
- Impactos positivos na práticas alimentares dos pais
Outras pesquisas também apontam o incentivo à fala, porque o bebê acaba fortalecendo músculos da mandíbula e boca. Assim como pode haver uma melhor absorção de nutrientes. Alguns alimentos podem perder um pouco disso ao serem triturados.
Não há restrição de alimentos a serem oferecidos. É preciso evitar sal e açúcar, apenas. Uma boa recomendação é priorizar alimentos macios, no início. Você também pode pesquisar sobre os cortes adequados para a BLW.
Introdução Alimentar BLISS
BLISS = Baby Lead Introduction to SolidS ou Introdução guiada do bebê aos sólidos. Ela é considerada uma “evolução” do BLW. Além de todo o processo do método anterior, são consideradas tanto a qualidade das refeições quanto a segurança do bebê. A oferta de alimentos é feita a partir dos nutrientes adequados que um bebê precisa.

As recomendações do BLISS são:
- Incluir um alimento rico em ferro a cada refeição. Ou seja, ter presente carnes e leguminosas nas refeições principais e alimentos fortificados com ferro em outras refeições.
- Um alimento de alta densidade energética precisa ser ofertado a cada refeição.
Apesar dos dois últimos serem mais atrativos em questão de desenvolvimento e autonomia da criança, nem sempre são os melhores. Antes de começar a IA, é essencial realizar pesquisas e conversar com os profissionais da saúde que tomam conta do seu bebê.
Como dito acima, cada família tem uma rotina, cada bebê tem um ritmo. É necessário respeitar todas essas características para o sucesso da IA. Independente do método que você escolher, tente manter a alimentação do bebê saudável.
Lembre-se que é preciso que a criança tenha de 8 a 10 vezes contato com cada alimento para que o paladar se habitue. Evite a oferta de qualquer tipo de açúcar até os 2 anos de idade e o uso de sal até os 12 meses completos.
Como foi a IA na sua família?