Dra. Daniela Rodriguez – Pediatra e Neonatologista em Vila Mariana – SP

É caracterizado como prematuro o bebê que nasceu antes das 37 semanas. O esperado é que o nascimento seja entre as 37 e 42 semanas de gestação. O tempo referência de gestação são as 40 semanas. Por isso, antes desse período, alguns cuidados extras podem ser necessários.

Esse momento após o parto, é repleto de angústia e ansiedade. Nem sempre os prematuros são levados para a UTI, mas é comum que esse procedimento seja feito.

Receber a alta hospitalar é algo muito esperado e é um momento de alegria. Porém, após a alta, alguns pais ficam receosos que ocorra alguma situação inesperada com o bebê. Sendo assim, vou apresentar alguns dados sobre os prematuros e os sinais aos quais os pais precisam se atentar em casa. 

Tipos de prematuridade

No Brasil, estima-se que nascem 300 mil bebês prematuros por ano. Isso representa cerca de 11% dos nascimentos do país nesse mesmo período. 

Todo bebê prematuro é igual? Não. A Sociedade Brasileira de Pediatria divide em quatro grupos diferentes, de acordo com o nascimento. 

Pré-termo tardio – de 34 a 37 semanas

Pré-termo moderado – de 32 a 34 semanas

Muito pré-termo – entre 28 e 32

Pré-termo extremo – abaixo de 28 semanas

Esse tipo de segmentação é realizada, pois cada etapa gestacional é diferente e pode ser que o prematuro tenha certas demandas específicas. O comportamento pode ser um pouco diferente, principalmente no primeiro mês de vida.

Bebês prematuros podem ser menos alertas e responsivos, menos ativos, têm ciclos menores de sono-vigília, demandam aleitamento em intervalos mais curtos.

Meu filho foi para a UTI, e agora?

Alguns prematuros precisam, realmente, de cuidados maiores e são levados à Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais. Os profissionais da saúde visam o melhor para o bebê e almejam salvar a vida dele, além de diminuir qualquer sequela do nascimento antes do tempo.

Nesses casos, é muito comum os pais se sentirem angustiados e impotentes. Mas saibam que vocês, pais, têm um papel fundamental para fazer parte da melhora do bebê. Não se sintam culpados de qualquer coisa. 

É uma condição totalmente diferente. Para minimizar um pouco o sofrimento, se concentrem totalmente no bebê. Evitem dar importância aos aparelhos, ruídos e todo o ambiente hospitalar.

Têm alguma dúvida? Conversem com a equipe, perguntem o que for. Não existe nada óbvio nesse tipo de cenário e a equipe de saúde pode explicar tudo o que está acontecendo. Assim, vocês podem sentir maior controle da situação.

Passem o tempo que for próximos ao recém-nascido. Se possível, participem da troca de fraldas, da alimentação e tudo o que a equipe autorizar.

É importante ter em mente que a medicina está bastante evoluída. Existem diversos recursos e a equipe vai trabalhar e utilizar tudo o que estiver disponível para o melhor do seu bebê. Na maioria das vezes, tudo corre bem. Mesmo com a internação da UTI, os prematuros recebem alta, são levados para casa e têm um desenvolvimento normal.

Após a alta 

A tão aguardada alta hospitalar chegou. Lembrem-se que, se o bebê recebeu alta, uma equipe de saúde multidisciplinar concordou que ele está pronto para isso.

Assim que vocês levarem o bebê para casa, é importante identificar sinais de alerta. De acordo com a Sociedade de Pediatria de São Paulo, esses são os principais sinais de risco para um prematuro:

  • dificuldade em respirar, caracterizada pelo peito subindo e descendo de forma mais profunda ou rápida;
  • parar de respirar por alguns segundos;
  • tem tosse frequente ou persistente;
  • chora muito, com dificuldades para se acalmar;
  • chora ao engolir, como se estivesse com dor;
  • fezes vermelhas, pretas ou brancas;
  • elimina pouca quantidade de urina e com coloração amarela escura;
  • apresenta boca seca;
  • se sente mais irritado e sonolento;
  • demonstra cansaço após pequenas refeições ou faz pausas durante a alimentação para recuperar o fôlego.
  • vomita logo após mamar ou várias vezes, mesmo sem mamar;
  • apresenta temperatura medida na axila menor de 35,5°C ou maior de 38°;
  • tem manchas roxas pelo corpo, pele e/ou lábios azulados ou pálidos;
  • fica com a boca seca com frequência;
  • tem convulsões. Essas podem ser com movimentos de esticar e encolher pernas e braços ou com tremores, movimentos dos lábios, como se estivesse mamando.

Os sinais precisam ser percebidos e levados a um profissional da saúde da confiança dos pais.  De preferência, assim que os sinais forem notados.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda alguns cuidados ao levar a criança para casa. Como:

  • higienizar as mãos antes e depois de cuidar da criança;
  • trocar as fraldas sempre que notar a presença de urina e/ou fezes;
  • usar sabonete neutro para dar banho;
  • comparecer às consultas com pediatra e outros profissionais da saúde, conforme o plano de alta;
  • priorizar o aleitamento materno;
  • ao colocar para dormir, posicionar o bebê de barriga para cima, no berço;
  • seguir o plano de imunização, com apoio do seu pediatra;
  • evitar aglomerações e locais fechados;
  • privar o bebê do contato com pessoas com sintomas respiratórios e/ou febre;
  • não fumar em casa.

Parecem muitos cuidados. Todavia, são cuidados que praticamente todos os pais precisam ter. Independente do bebê ser prematuro ou não.

É essencial que a gestante compareça a todas as consultas de pré-natal para ter uma boa conexão com o obstetra e pediatra. Caso ocorra um parto prematuro, os pais terão uma maior confiança nos profissionais de saúde e procedimentos feitos.

Pode ser um período repleto de desafios. Mas cada dia é um dia, cada melhora é uma vitória. As chances de dar tudo certo são muito grandes.

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